Aproxima-se o Natal e os
preparativos exteriores aí estão à vista ! Sinais de festa nas montras e
nas ruas por todo o lado. Por dentro porém, não parece haver festa no
coração inquieto de muita gente !
Escrevo-vos junto à lareira, numa
destas noites frias, aqui perto do mar, na Praia das Maçãs. No meio da
profusão de surpresas, confusões e incidentes que pateticamente têm
caracterizado a vida política portuguesa dos últimos tempos, em que
igualmente abundam comentários, especulações, juízos e críticas
demolidoras, acompanhadas de perversas lutas pelo poder, eu cá ,
continuo na minha. Prefiro comentar e dar-vos notícia do que poucos, ou
nenhuns comentam ou noticiam. E abro a minha agenda e recordo o
itinerário das últimas semanas: Braga, Porto, Beja., Coimbra.
Pela janela, o maravilhoso colorido
de mais um Outono passa veloz. Carro, comboio, carro, sol, chuva. Nasce
o sol, brilha, escurece, põe-se e cai a noite. E de novo, corremos por
este país fora a “ confirmar e reforçar convicções, as nossas e as de
quem nos ouve”, como nos dizia um ilustre convidado. Cenofa e ACMedia,
de novo se entreajudam, parceria aqui, parceria ali, vão-se fazendo
ouvir, despertando consciências e vontades, ou suscitando reflexão e
redobrado interesse.
Lá em cima, junto ao belíssimo Bom
Jesus de Braga, com a preciosa colaboração de duas activas associações-
a Casa do Professor e a Associação Famílias- o Cenofa levou a cabo o
Seminário “A par e passo com as famílias”, juntando um excelente grupo
de conferencistas e falando, entre outros assuntos, das crises e
recursos da Família, dos problemas da educação de crianças e
adolescentes, na Família e na Escola, e do seu relacionamento com os
seus pares e com as novas tecnologias , esses instrumentos que podem
estar, ou não, ao serviço das famílias.
Uma semana mais tarde, no Porto,
mais concretamente, nas magníficas instalações da Fundação Dr António
Cupertino de Miranda , generosamente cedidas ao Cenofa, (tal como já
acontecera há alguns anos atrás), de novo se reuniu um numeroso grupo de
pais e educadores- desta vez não propriamente para visitarem a
interessantíssima exposição interactiva sobre o dinheiro em papel, que
aliás, vivamente recomendamos!- mas para ouvirem o tema “Vamos falar dos
nossos filhos”. E foi bem útil sobretudo, a troca de reflexões e
propostas educativas à volta da Educação da Vontade e Educação Sexual
das crianças dos 0-10, que ali foram sabiamente apresentadas.
Depois foi a vez da ACMedia
participar num concorrido encontro organizado pelo Instituto do
Consumidor em parceria com a Deco e a Escola Superior Agrária de Beja,
onde teve ensejo de dar a conhecer os seus princípios, projectos,
actividades e preocupações, a nível nacional e internacional, como
membro da Fiatyr e Euralva, associações igualmente ligadas à defesa da
qualidade dos Media e seus utilizadores, estando a primeira sediada em
Espanha e a segunda em Inglaterra.
Alguns dias mais tarde, de novo em
Coimbra , fomos convidados a participar num Seminário, pela fantástica
e dinâmica delegação local da ACMedia, que em parceria com a Associação
Sindical de Professores Licenciados, propôs, com enorme êxito e
afluência, a discussão do tema “Educação versus Media “ Ao longo de um
dia de trabalho, pudemos ouvir excelentes contributos, entre os quais o
da Drª Maria de Jesus Barroso, na qualidade de Presidente da Fundação
Pro Digitate, que muito se tem vindo a preocupar com o efeito da
violência da televisão e jogos electrónicos na criança e no jovem, e que
nesse sentido tem vindo a realizar diversas iniciativas de relevo no
âmbito da premente necessidade de educar para a Paz.
Agora que esta etapa de intensa
actividade chegou ao fim, confesso que olho para trás com algum cansaço,
mas sobretudo com alguma apreensão.
Se as pessoas soubessem como é
difícil fazer Associativismo em Portugal! Quem vai assistir a todos
estes encontros, de modo geral gosta, aplaude, ajuíza sobre quem fala e
o que foi dito, com mais ou menos justiça e sentido crítico, e até pede
mais, mas estando de fora as pessoas não imaginam como é difícil
recrutar voluntários a trabalharem gratuitamente, quantas vezes com
sacrifício das próprias famílias, para fazerem este trabalho de terra em
terra, frequentemente ao fim-de-semana, ou para se criarem pólos locais
de dinamização, e sobretudo, para se encontrarem meios financeiros que
permitam às associações sobreviver e fazerem projectos para um futuro
próximo !
E contudo, são muitas as pessoas
que vamos encontrando e que reconhecem, que as famílias cada vez mais
precisam deste espaço de reflexão, aconselhamento e ajuda, não só para
que se mantenham unidas e firmes nos seus projectos conjugais, sem
desistirem às primeiras contrariedades e problemas que lhes apareçam ,
mas também para educarem bem os seus filhos, ensinando-os com o seu
próprio exemplo, a resistirem às modernas tentações constantes do
consumismo, da obsessão televisiva e electrónica, e ao consequente
empobrecimento intelectual e espiritual .
...A noite vai adiantada e pouso a
escrita. O fogo crepita e baila à minha frente. Já todos dormem aqui em
casa. Falta-me contudo, o final para a crónica de hoje, talvez
excessivamente informativa e um pouco mais deprimida que o habitual...
À procura de inspiração, pego num
jornal e leio parte de um longo artigo sobre a Constituição Europeia.
Reparo como são muitos os que querem ficar com o seu nome na História
pelo esforço que põem na construção da coesão europeia, embora queiram
omitir as raízes cristãs desta velha Europa e se esqueçam por completo
dos que as lançaram ! Lamento-o, sinceramente!
Entretanto, sem sono, continuo à
procura do final que me falta e folheio um livro emprestado, com
magníficas fotografias de um local inóspito e para mim desconhecido- o
Monastério de S. Toríbio ( séc. VI) de Liébana, na Cantábria, onde se
encontra o maior pedaço do madeiro da Cruz de Cristo. Leio a introdução
escrita pelo seu guardião, Vitorio Zabalgojeaskoa, e não resisto a
copiar algumas frases...que me parecem bem servir de final ao m2 de
hoje! Ora reparem...
“(...) a custódia neste lugar, da
maior relíquia da Cruz de Cristo, constituía um aliciante para muitos
peregrinos que se acercavam a estas recônditas paragens(...) para a
venerar(...). A revitalização deste espírito de amor e fraternidade é o
objectivo que nos impele nestes tempos de crise destes grandes valores
cristãos. O conhecimento e valorização da nossa história tem de ser um
caminho para refrescar a memória dessa espiritualidade e consolidar a
nossa convicção nesta tarefa. A arte, como máxima expressão da
criatividade humana(...) servir-nos-à de apoio e alento nessa viagem ao
passado, em que fundamentamos o presente.”
Boa-noite, meus amigos! (...e que tal uma excursão à
Cantábria, em busca de Liébana?)
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sugestões : fonsecas@netcabo.pt