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Manhã cedo de domingo, acordo com os berros de “Hakuna Matata” do Rei Leão, vindos dos lados da sala. Presa ainda por mil atilhos de preguiça, custa-me dar o salto que se segue para a vida real e por momentos, penso muito vagamente, que a minha neta queridíssima, de 3 anos- a Carlota - devia estar antes a ouvir uma história pedagógica ao vivo, contada “ à maneira”, cheia dos “efeitos especiais” da oralidade , da ternura e do colo, de mistura com papa Cérèlac...A custo lá cedo ao dever e levanto-me enfim, para a vida... ...Agora é noite, já tudo descansa em minha casa e passo em revista os temas que gostaria de abordar...pego no lápis e começo por aplaudir a pedrada no charco lançada pelo Ministro Arnault ao propor, esta semana, um “Código de Ética” para ultrapassar os constantes incidentes e escândalos relacionados com suspeições, violências e corrupções no futebol nacional. Depois, verdadeiramente perplexa e um tanto angustiada ante as diferentes posições quanto à eventualidade de uma guerra no Iraque e a confusão de razões político-económicas perfeitamente explicadas pelos nossos brilhantes comentadores, para justificar a necessidade de atacar, recordo de repente, um livro da minha juventude - “Olhai os lírios do campo”, de Erico Veríssimo, e não resisto... vou aqui à estante, pego nele e procuro uma passagem em especial, para transcrever umas linhas que também hoje, transpostas da ficção literária para a realidade em que vivemos, me parece fazerem todo o sentido...ora reparem...
... Não haverá outra solução? - pergunto-me mais uma vez, enquanto arrumo o livro. Ao longo do dia e dos dias, nesta espera enervante, penso com frequência, como se sentirão eles, as futuras vítimas directas, de um lado e de outro, se eu me sinto assim, aqui tão distante, à primeira vista, do teatro dos acontecimentos...penso nas mães, nos filhos, nos pais...não, não vou continuar por aqui, a divagar sobre guerras e justificações...que não entendo e me ultrapassam...( mas onde está a coerência de defender a vida e fazer a guerra? E onde está a coerência de ser contra a guerra, contra a violência, mas defender aborto e eutanásia? E até quando vamos deixar que judeus e palestinianos se continuem a matar nesta louca espiral de violência? E...e...?) ...Um salto mais, permitam-me, e aqui fica uma última brevíssima reflexão sobre um interessante artigo de Cláudia Moura, no Notícias Magazine deste domingo, intitulado “Um Guia para Casais em crise”. Importa, que fique claro, de facto, que mediação familiar nada tem a ver com aconselhamento familiar. A mediação não visa prevenir situações de pré – rotura, em que por todos os meios se procura ajudar o casal a não desistir do seu casamento. Este é um dos trabalhos mais meritórios da Orientação Familiar e do Aconselhamento Familiar e é o trabalho, em concreto de associações como o CENOFA (Centro de Orientação Familiar de Lisboa), que criado e levado por um grupo de casais generosos assim começou há mais de 25 anos, com resultados assinaláveis em matéria de apoio a noivos, a pais e educadores de filhos pequenos, pais e educadores de filhos adolescentes e avós. A mediação familiar de que se fala no artigo em questão, pelo contrário, procura evitar que os pais, no desespero das suas queixas e já em processo de divórcio, se esqueçam que pais sempre serão. É um trabalho completamente diferente e certamente também necessário. Mas na verdade, assim como nenhuma guerra – por mais razões que haja! - pode ser boa em si mesma - como aliás, tantas personalidades nacionais e internacionais o afirmam, neste momento ! - também o divórcio, por muito pacífico e justificado que seja, jamais deverá ser considerado como bom em si próprio e como primeira solução ! As crianças podem
bem atestá-lo... |