|
m² de 17 de Março de 2003
Em letras grandes, por toda a parte, as notícias são de
Guerra...a imensa confusão de argumentos pró e contra, a divisão entre
pacifistas (por uma questão moral e religiosa, por convicção, por comodismo, por
medo, por razões políticas e ideológicas...) belicistas ( porque acreditam que a
segurança da Humanidade está mesmo em perigo, porque defendem o eixo Atlântico e
os nossos aliados de sempre, porque se lembram de que também Hitler não foi
travado a tempo e aconteceu o que aconteceu!...porque o petróleo importa
muito...) e os confusos, muito confusos, entre tantas razões sem Razão,
incapazes de tomar partido ou de compreender o mundo dos nossos dias !
Entretanto, continuamos presos ao rádio, aos jornais, às
televisões, a toda a hora à espera do início da Guerra ou de algum acto
terrorista tresloucado, enquanto a economia parece atacada de estagnação, o
desemprego cresce e o desânimo se apodera de muitos, cá dentro e lá fora ... “as
crises são momentos normais na vida das sociedades e até são profilácticas”,
dizem alguns, desejosos de animar empresários nacionais a investir e dar
emprego... “ a guerra vai ser rápida, curta, vai fazer poucas baixas, os
americanos vão ajudar o povo iraquiano a reconstruir o seu país...”, dizem
outros, políticos, estrategas e peritos em Relações Internacionais, apaixonados
talvez pelo interesse imenso da situação actual, não fora o caso de estar em
causa a vida de iraquianos , americanos, europeus, enfim, a vida de todos nós...
Não sou comentadora, não tenho saber para tal, nem
interesse sequer em o fazer. Não sei escrever sobre Guerra e não quero fazê-lo.
Olho apenas à minha volta e tenho medo pelos meus e pena de todos, porque gosto
habitualmente das pessoas por tendência natural. E embora tenha a certeza de que
a minha esfera de influência é praticamente nula... pois ela limita- se,
efectivamente, à minha relação com aqueles que comigo vivem, aos meus amigos,
aqueles com quem me cruzo diariamente, para quem trabalho, com quem comunico, em
quem penso e por quem rezo... no entanto, acredito piamente, que este é o meu
local e o meu tempo de vida, este é o “ meu m2 ”de acção, esta é a vida que
posso e devo esforçar-me por tornar útil, digna e valiosa através de tudo o que
eu fizer e isso é que é importante. “Carpe diem!” Aproveitar bem o tempo é o que
importa neste momento. Apesar de ser a Guerra o tema que a todos nos atrai e a
que associamos inevitavelmente, a ideia de Morte, prefiro falar de Vida, porque
todas as vidas são importantes, igualmente dignas, irrepetíveis, únicas e
valiosas. E tenho talvez a veleidade de acreditar que também através desta
simples escrita a minha vida possa fazer bem a alguém e é por isso que escrevo.
Escrevo para quem me lê. Para cada um. Serão poucos? Valerá a pena? Será que
serve mesmo para alguma coisa? Tornará alguém melhor? Suscitará bons sentimentos
no coração de alguém, fará alguém pensar no sentido da sua vida, no empenhamento
em tornar o mundo melhor?
(Às vezes julgo que não vale a pena)... Bem, estou para
aqui a divagar e poderão dizer com toda a justiça, que não estou a falar de
ACMedia e que nada disto tem a ver com Comunicação Social ou acontecimentos
desta semana que passou...mas mais tarde ou mais cedo, iria pôr a questão da
utilidade de manter esta crónica semanal, que aliás, penso terminar – para dar
lugar a outros – em Junho, quando fizer um ano de “metros quadrados”. Escrever é
para mim abrir a alma, por isso teria mesmo de partilhar estas considerações
convosco! Desculpem!
...Não terminarei contudo, sem vos falar da nossa passagem
– nós, equipa pedagógica da ACMedia – por uma lindíssima escola, luminosa,
colorida, muito recente e magnificamente equipada, a Escola Vasco da Gama, no
Parque das Nações, onde nos deslocámos, no passado dia 15 de Março, Dia
Internacional do Consumidor. A ACMedia foi convidada a assistir à assinatura do
protocolo entre o Ministério da Educação e o Instituto do Consumidor e à
apresentação de magnífico material didáctico da autoria do Instituto do
Consumidor em parceria com a Universidade de Aveiro.
Tivemos ensejo de ouvir e também falar directamente com o
Sr. Ministro da Educação e sua equipa, e gostámos particularmente, da forma
directa e próxima como se dirigiu aos alunos ali presentes, uma turma de 9º ano.
À guisa de despedida, ficam aqui registadas algumas das
suas reflexões :
(...) de facto, como já foi dito, nada na vida se consegue
sem esforço...(...) mas coloca-se assim, um grande desafio à Escola de hoje :
como conseguir transmitir tantos conteúdos – educação do Consumidor, Prevenção
Rodoviária, educação sexual, etc – integrados no currículo obrigatório,
salvaguardando o fundamental? E além disso, como é que vocês, os jovens, vão ter
tempo para aprender tanta coisa ? É que também precisam de ter tempo para
brincar, jogar à bola, estar com amigos...(...).
Gostámos de ouvir o Sr Ministro . Ele é um homem sensato e
sabe o que é ser criança e ser jovem. Já à saída, ainda tivemos tempo para lhe
dizer qual o trabalho da ACMedia e de o ouvir referir como o preocupa a
influência dos Meios de Comunicação, nomeadamente da televisão, sobre as
crianças e os jovens, pelo que muito o alegra saber que existimos e andamos
pelas escolas a falar com Pais, Professores e Alunos, numa tentativa de ajudar a
educar para os Media!
Comentários, críticas e sugestões :
fonsecas@netcabo.pt

|