m² de 15 de Abril de 2003
Sabem o que é “dois em um”?
Não, não é isso que estão a pensar: shampoo e acondicionador num só. Também não
é ser Mãe de Família e Profissional a tempo inteiro. “Dois em um”, neste caso, é
apenas aquilo que vou tentar fazer, hoje, depois de ter tido outras prioridades
inadiáveis, que me retiraram tempo para o “m2” semanal (mas será que alguém deu
por isso???)....as minhas desculpas!
Ora vamos então, aos temas de hoje! Pois bem, lá fora e cá
dentro, como todos sabem, os Media têm mantido as nossas atenções concentradas
sobretudo na Guerra do Iraque, essa guerra estranha, tão cheia de surpresas, que
parece estar agora a terminar, talvez com um menor número de mortos do que se
previa - é verdade e ainda bem! - mas sempre e ainda - não nos iludamos!-
tragicamente devastadora, mortífera e inquietante!
Para muitos, vista como um corajoso acto de libertação e um
indispensável garante geoestratégico da segurança ocidental, para outros, como
um terrível retrocesso no Direito Internacional e na unidade europeia, bem como
um acto de prepotência injustificável....De qualquer modo, e apesar das imagens
de inequívoca alegria de muitos iraquianos nas ruas celebrando a queda de um
regime de triste memória, a verdade é que nem todas essas imagens juntas chegam
para apagar o caudal imenso de dores, mortes, destruição e caos, que não
sentimos na pele, mas vemos em parte e podemos adivinhar...
Talvez por isso, gostei tanto de saber que o chamado “
Grupo de Reflexão João XXIII” teve a ideia de promover e divulgar um Concurso
Literário Juvenil - “Felizes os Construtores da Paz”- por este nosso Portugal
fora! Tal como eles - bem mais jovens do que eu, alguns , e outros, bem mais
velhos - acredito que a paz deve ser ( e cito o texto de divulgação) “ (...)
como uma escada que os homens do mundo inteiro, novos e velhos, famosos ou não,
vão construindo todos os dias, para que a nossa sociedade possa ir mais longe,
para que a dignidade e os direitos de cada homem sejam respeitados e defendidos
e para que cada um se sinta confortável dentro da grande família que é a
Humanidade (...)”. É que , na verdade, a guerra é sempre uma tragédia e
representa a tremenda falência dos pequenos e grandes gestos de Boa Vontade que
Cristo veio à terra ensinar e em que, graças a Deus, tanta gente acredita!
Olhando agora para aquém da guerra, sem me deter sobre os
gloriosos êxitos do nosso futebol (tenho de dar aqui os parabéns convictos, para
que o meu filho Tiago não fique desapontado...), ou sobre as recentes novas
nacionais de mais corrupções, inquéritos, suspeitas e prisões, preferia dar-vos
uma breve pincelada do que foram as actividades da ACMedia, que ao longo destas
duas semanas, em várias ocasiões se cruzou com o Cenofa (Centro de Orientação
Familiar) e a aguerrida APFN (Famílias Numerosas).
Na nossa corrida por este Mundo fora....o nosso
pequeníssimo mundo feito afinal de pequenos m2 e alguns KM!....fomos desta vez,
até Cantanhede, Torres Vedras, Oeiras e Moura, integrados em vários colóquios
organizados por Câmaras, Igreja , Escolas e Associações de Pais.
No 1º Encontro Temático “Crianças e Jovens em risco”
realizado em Cantanhede pela respectiva Comissão de protecção de Crianças e
Jovens / Câmara Municipal, cruzaram-se ACMedia, Cenofa e APFN num mesmo painel
sobre “O Papel da Família e da Afectividade na Prevenção e Redução do Risco”.
Seguiu-se uma ida à Escola Secundária de Cantanhede para a ACMedia insistir,
junto de Pais e Educadores, na necessidade de aprender a usar bem os Media. Já
conhecem por certo, a nossa mensagem: ver e ouvir com inteligência significa
ESCOLHER, Parar, Pensar, para não nos deixarmos manipular pela informação,
programas e publicidade e para não perdermos a capacidade de sermos donos de nós
próprios e do nosso tempo!
Ser um espectador e utilizador crítico, associar-se à
ACMedia e mobilizar outros na defesa da Verdade, do Bem e da Qualidade dos Media
é a mensagem que levamos e é o fio que nos conduz por essas estradas fora.
E assim chegámos a Torres Vedras, ao colóquio “Escola e
Comunicação Social: Responsabilidades da Família”, organizado pela Pastoral
Familiar do Patriarcado de Lisboa, o que nos permitiu assistir a interessantes
exposições, desde a apresentação do Dr José Luís Ramos Pinheiro, Director de
Informação da Rádio Renascença, passando por psicólogas, professoras e casais,
até ao testemunho de um jovem de 16 anos, Manuel Gonçalves, aluno da Escola
Alemã, cujas palavras não resisto a transcrever em parte! (Aliás, aproveitei
logo para o convidar para fazer parte das nossas equipas pedagógicas, pois bem
precisamos de gente nova daquele “calibre” a explicar aos seus pares, a
importância de educar para os Media...).
Dizia o Manel: “ (...) sim, porque os pais não podem estar
desinformados do que se passa nas suas casas, do que os filhos vêem, ouvem ou
fazem, porque são eles que têm de ajudar os filhos a aprenderem a discernir e
também não se pode fazer a vida da família depender toda da televisão (...) por
isso, em nossa casa, temos muitos momentos de família sem televisão e noutras
alturas vemos e discutimos o que vemos (...). Conversas, jogos e refeições sem
televisão são importantes momentos da nossa vida (...). Em nossa casa não somos
educados, as minhas irmãs e eu, com proibições - o que eu muito agradeço! - não
somos proibidos de ver televisão, mas sabemos que há programas que lá em casa
ninguém vê, sabemos porquê e pronto! Não nos interessam! (...) ”
Parecido com este jovem, só mesmo o que fomos encontrar
esta semana em Moura, no final de uma sessão na Escola Secundária, promovida
pela simpática Associação de Pais, com o apoio de uma tão jovem quanto dinâmica
Presidente do Conselho Executivo, e integrada nas Festas das Escolas de Moura -
o Fesforjovem .
(Conto mesmo? É que já vai longo o 2 em 1...mas eu acabo
depressa!) A sessão foi “encomendada” ao Dr Luís Cabral, nosso amigo e
prestigiado obstetra, um dos fundadores da APFN. Então, a seu pedido, o Cenofa /ACMedia
foi também a Moura para participar na sessão sobre Educação da Afectividade. Eis
senão, quando já à saída do ginásio, onde tinham estado cerca de 200 jovens e
alguns professores e pais, se aproxima de nós um jovem de 19 anos, com um grande
sorriso e o sotaque alentejano característico... “Só queria dizer que gostei
imenso do que o sr Dr disse....eu também acho que tudo começa na família e hoje
há muito egoísmo nas famílias, falta muito amor e os pais não querem ter
filhos....por isso, queria dar os parabéns também, por vocês terem tantos!
Parabéns! (...) ” “Voltem!”
Voltaremos certamente, não só porque fomos maravilhosamente
bem recebidos, mas também porque acreditamos que estas idas às escolas são
fundamentais e são a melhor forma de semear. Quem dera que haja muitos Maneis e
muitos Joões...mas há-os e temo-los encontrado!
....Releio o que escrevi e tenho a sensação de que me
repito, como se esta fosse uma longa folha de um Diário feito de dias e
acontecimentos iguais...talvez de facto, eu vos traga notícias aparentemente
iguais e que já não vos interessam de tanto as repetir, mas as outras são as que
vêm nos jornais, nas rádios e televisões...Acreditem no entanto, por favor, que
cada ida a uma Escola ou a qualquer outro local nunca é igual, porque as pessoas
que encontramos são diferentes e “têm um brilhozinho nos olhos” também
diferente, quando lhes tocamos o coração e se gera comunicação e empatia.
Desejo-vos uma Boa Páscoa! Até a um próximo m2!
Comentários, críticas e sugestões :
fonsecas@netcabo.pt