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O céu insistentemente cinzento e chuvoso deu por fim,
lugar a um azul lindíssimo, prenúncio de um frio perigoso a que não estamos
habituados. Surgem as primeiras notícias de mortes por hipotermia. No meio deste
forte frio que subitamente se abateu, sobre todos nós, há porém, algumas
notícias mais animadoras. Saber, por exemplo, que estão a ser tomadas medidas
concretas de apoio aos sem-abrigo - para os não deixar morrer de frio ao relento-
iniciativas da responsabilidade de várias organizações, governamentais e não-
governamentais, bem coordenadas entre si e com a orientação e o apoio
fundamental da Câmara de Lisboa, é uma excelente notícia e merece o nosso
inteiro aplauso. Por outro lado, abrir o Diário de Notícias em novo formato
e ler a igualmente nova secção, “Histórias com gente lá dentro”, descobrindo em
manhã soalheira de domingo, a história de uma missionária sem medo e sem nome,
que dá toda a sua vida, no meio de perigos indescritíveis, ao trabalho no meio
das selvas do Congo, é igualmente alguma coisa que devemos no mínimo, agradecer
a quem no-la dá a conhecer (obrigada, Leonor Figueiredo!) e é uma página real
que deveríamos todos ler e divulgar. Curiosamente, quando o outro lado do céu mais se tolda com
a ameaça iminente de uma guerra no Iraque, é empossada entre nós, a nova
Comissão Nacional de Justiça e Paz, surge um Manifesto pela Paz, assinado por
diferentes personalidades, de diferentes quadrantes políticos, e em boa hora, o
Parlamento, a pedido do CDS-PP, decide debater hoje, 2ª feira, à tarde, a
questão da violência na televisão. E por causa desse debate, muito
oportunamente, também a TSF propôs hoje de manhã, através do Fórum, uma troca de
impressões sobre o mesmo tema. A ACMedia, como muitas outras pessoas, teve ocasião de
estar presente, e quis ouvir e intervir, em ambas as ocasiões, porque esta
questão é de facto, extremamente importante e preocupante , diz respeito a toda
a sociedade e revela decisivamente, o que somos e o que queremos , ou não, vir a
ser. Construir a Paz é de facto, tarefa de todos nós. Hoje, ficar-me-ei pelo Fórum na TSF. Sabendo à partida, que todos estes temas são polémicos,
que os consensos não são fáceis, e que estas questões apenas servem, com
demasiada frequência, infelizmente, para mais um confronto político, gostaria no
entanto, de recordar aqui algumas das interessantes ideias- chave que ali foram
expressas, pelos diferentes intervenientes de distintas linhas ideológicas e
formações sócio - culturais: (...) é preciso definir violência...há vários tipos de
violência...por ex. há concursos humilhantes, cenas de desporto, futebol,
insultos no Parlamento, televendas, o uso de cenas de vidas, ditas reais, só
para aumentar as audiências, que são profundamente violentas (...); (...) hoje, os publicitários, quase só sabem fazer
trabalhos de publicidade ou com violência, ou com pornografia (...); (...) devia haver alguma comissão de ética que
acompanhasse a programação (...); De facto, às vezes enredamo-nos num discurso de tal maneira longo, intelectualizante e fastidioso, que até parece que só uns iluminados poderão entender, acompanhar e participar, e acabamos por desistir de discutir temas e procurar soluções, esquecendo tudo o que um mínimo de bom-senso aconselha! Afinal, nem todas as soluções estão assim tão longe de nós! |