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m² de 12 de Maio de 2003
Tenho um desejo imenso de abordar convosco, no dia de
hoje, diversos temas. Forçosamente, será pela rama, não só por respeito pelo
vosso tempo, como também pelo formato previsto para estes “m2”, que idealmente
deveriam ser sempre curtos, breves e simples...
Desculpem pois, esta aparente salada de frutas, feita de
muitos bocadinhos soltos. Agora porém, reparo que não há frutos azuis – ou já
haverá em laboratório e eu não sei? - e preciso de falar em azul, portanto em
vez de salada de frutas , tentarei um quadro moderno – minimamente inteligível,
espero!- feito de pinceladas ligeiras e multicolores!
Comecemos então pelo azul, porque o Futebol Clube do Porto
– os Campeões Nacionais! – estão de parabéns e merecem-nos, uma vez mais, doa a
quem doer!( Desculpem-me os Sportinguistas e os Benfiquistas entre outros!!!).
Mas azul lembra saco, saco lembra financiamentos
partidários, autarquias, Câmaras, corrupções, Oeiras, Cascais, Felgueiras e
destes temas nem vale a pena falar!
É verdade que também lembra Fátima. Mas em vez da Fátima
de Felgueiras, Brasil e já agora, “Contra-informação” de domingo (viram? Genial
e impagável é certo, mas frequentemente demasiado irreverente para meu gosto e
fatalmente, demasiado corrosivo e até por vezes um tanto injusto para com as
pessoas e as instituições...mas será que é mesmo assim numa verdadeira
democracia? Só há direitos infinitos e não há nem uma pequenina “check-list” de
deveres? A palavra “respeito” foi mesmo para o lixo? Não pode ser!)... mas como
ia dizendo, ao falar em Fátima penso, não numa qualquer Fátima, mas na Senhora
de Fátima, Cova da Iria, para onde convergem todos os caminhos de Portugal neste
mês de Maio e sobretudo nesta precisa data.
Peregrinos, viajantes, gente rica e gente pobre, de todas
as idades, profissões e condições, saídos das cidades, vilas e aldeias, ou
vindos de outras partes do mundo, todos se fazem pequenos e semelhantes, e por
uma vez no ano, pelo menos, param as suas vidas habituais, põem-se à escuta de
uma Voz diferente e partem em busca de alguma outra coisa, frequentemente de uma
transformação interior, todos cheios talvez, de uma mesma vontade de renovação e
cada um mais desejoso de ser melhor, pedir e agradecer.
Mas e já agora, por falar em Voz, lembro – me também da Voz
do Papa, há poucos dias em Madrid, incansável, envelhecido por fora, é certo,
mas sempre jovem por dentro e irresistivelmente amado por tantos que o escutam,
de que sempre sobressaem os jovens.
A este propósito, pego no último Expresso e fico a pensar
sobre as palavras de Pedro d’Anunciação em “Zapping” : (...) a maioria dos
católicos ama-o, mas não o segue nas suas posições; e outros que poderiam
concordar com muitas das suas posições - sobretudo as que são contra o
liberalismo económico (tão de moda) e a favor das políticas sociais ( tão
“démodées! ), para não falar do pacifismo e da firme condenação da guerra do
Iraque – esses , na sua maioria, não gostam do Papa das cruzadas contra o aborto
e os anticonceptivos, nem são católicos.”
Dá muito que pensar a dura lucidez desta breve análise à
coerência de todos nós!
E pegando na palavra “católicos”, não posso deixar de vos
relatar aqui um pequeno episódio, que me deixou estarrecida a olhar....passava
eu, num destes dias, à porta de uma igreja quando uma grande algazarra me chamou
a atenção. E que vejo eu? Nas escadarias, rodeada de convidados rejubilantes e
com o seu noivo (para quem, confesso, nem cheguei quase a olhar!), uma jovem
noiva, muito delgadinha, vestia um longo vestido branco, com uma enorme racha em
baixo, à frente e em cima um “cai-cai” ousadíssimo, ao melhor estilo de “
coelhinha da Playboy”. Presumo que talvez estivessem ali nos degraus apenas para
uma fotografia decorativa e que o casamento tivesse tido lugar num qualquer
cartório notarial, de outro modo, creio que os padres terão de passar a dispor
de alguma “écharpe” ou casaquinho para emprestar às noivas mais despidas, ou
pura e simplesmente – e por que não? – passar a abordar também, na já de si
difícil tarefa de preparação para o Matrimónio, o tema prosaico do vestuário
mais aconselhável e digno para a ocasião! Com franqueza, duvido que assim se
traje para uma audiência com qualquer Primeiro- Ministro ou Presidente da
República, quanto mais para entrar numa Igreja e casar !
Bem, mas já agora, e por falar em casamentos, não posso
deixar de dizer aqui quão chocante me pareceu abrir um conhecido matutino da
semana passada e depois de várias páginas de crimes, homicídios, roubos,
sequestros e facadas, encontrar como “ nota de alegria” a fotografia feliz do
pseudo-casamento de um par de homossexuais, “abençoado” não sei por quem... e
descrito até ao pormenor. Também do banquete se fala. Claro que da ementa não
constavam frangos com nitrofuranos, nem peixe com mercúrio, ou carne de vaca
louca. Que se saiba, parece que também não havia ratos, nem baratas, nem
serpentes ou escorpiões, desses tão apreciados e vendidos nos mercados orientais
e agora suspeitos de transmitirem a terrífica Pneumonia Atípica ou SRA que por
aí grassa e mata a torto e a direito! Aproxima-se agora, aliás, como já se
esperava e temia, das paragens europeias.
Estou convicta porém, de que, naquela festa havia um outro
perigo real e bem mais próximo : a difusão do vírus da insanidade mental que é
querer confundir Família e Matrimónio, civil ou religioso, com todas estas
ligações anormais e doentias, perniciosas para a sociedade em geral. Cuidado,
muito cuidado! Democracia e tolerância sim, mas nada de confusões, por favor!
Felizmente, contudo, ainda há muita sensatez e empenhamento
generoso e lúcido dos cidadãos portugueses na defesa de um mundo melhor, acima
das loucuras comportamentais, e das divisões e interesses político-partidários,
nestes nossos dias!
Felizmente também, vem aí o Dia Internacional da Família, a
15 de Maio próximo e várias iniciativas não só estatais, como sobretudo da livre
iniciativa da sociedade civil, através de várias Associações de Família
(Parabéns, Associação Portuguesa de Famílias Numerosas, mais uma vez na
liderança!), virão a terreiro, por todo o país, lembrar a responsabilidade e
necessidade de apoiar as Famílias, grandes ou pequenas, com um Pai, uma Mãe e
filhos, muitos ou poucos, com medidas reais e concretas, em defesa da sua
sanidade mental e física, do seu direito a um mínimo de dignidade de vida e
felicidade, cientes de que o rosto de uma Nação passa também por uma política de
desenvolvimento e apoio às Famílias que a constituem!
Pronto, pronto, prometo que me calo já! O resto fica para a
próxima...
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