m² de 12 de Agosto de 2002
Um dos mais conhecidos e prestigiados dos nossos jornais
diários publicou, esta semana, uma longa reportagem sobre o "stress" dos
docentes.
Do muito que a jornalista recolheu e tão bem soube transmitir, ressalto -
porque particularmente importante e revelador ! - algumas palavras do Secretário- Geral
do Sindicato Nacional e Democrático dos Professores (Sindep) : "As turmas não são
mais do que uma microsociedade e cada aluno representa a carga comportamental da sua
família. Hoje, a generalidade das famílias tem muito pouco tempo para educar as
crianças e os pais acabam por delegar esta missão na escola (...)".
Uma massificação do ensino provocada pela escolaridade obrigatória, a
recusa da autoridade tradicional surgida sobretudo depois do Maio 68, uma escola
multicultural cheia de alunos provenientes de diferentes contextos socio-culturais,
professores que passam a vida a saltar de escola em escola sem tempo para se ambientarem
nem criarem laços de amizade, reorganizações curriculares e remodelações constantes
de manuais, desprestígio da figura do professor, pluralismo e ambiguidade de novos
papéis que se esperam que o professor desempenhe, sem que esteja preparado em matéria de
competências de comunicação e relações humanas, instabilidade na vida e
constituição das famílias, etc. são algumas das muitas razões apontadas que
justificam o tal sofrimento dos docentes.
Acrescento: são certamente também algumas das causas do insucesso escolar e
da tão falada iliteracia em Portugal.
Por isso é urgente tomar medidas e algumas até já vão ser tomadas.
Algumas cabem ao Governo, são polémicas, difíceis e só trarão resultados a longo e
médio prazo. Outras porém, são da nossa responsabilidade e estão à nossa mão, já !
Com efeito, se todos nós- pais, professores, auxiliares e alunos -
melhorarmos no nosso metro quadrado de actuação, isto é, no campo concreto do nosso
comportamento diário : mais dedicação e empenho, mais competência e exigência, mais
delicadeza, entreajuda e compreensão - então certamente , a vida nas famílias e nas
escolas melhorará e os efeitos sentir-se-ão em toda a sociedade como uma lufada de ar
fresco e revigorante!