m² de 10 de Julho de 2002
Há poucos dias recordámos uma data especial para
Portugal: os quatro anos do referendo sobre o aborto, melhor dizendo, os quatro anos da
aprovação do sim ao direito à vida da criança ainda por nascer.
Nesse dia toda a Comunicação Social mencionou o tema com grande destaque,
sendo notório que continua a ser uma questão altamente polémica, confusa e fracturante
a nível político e ideológico, mas perfeitamente clara a nível ético.
Nessa manhã, tive ocasião de ouvir algumas intervenções no sempre
interessante Forum da TSF e gostaria de realçar aqui duas opiniões, em particular: a
primeira, de uma senhora que já na véspera participara no Forum em defesa do
direito à vida dos animais, dizendo que naturalmente não podia deixar de
voltar a telefonar para defender, ainda com mais determinação, o direito à vida da
criança por nascer, estranhando apenas que outros acérrimos defensores dos animais se
mostrassem agora silenciosos... a segunda, era a opinião daquela já nossa conhecida Mãe
dos pluri-gémeos da Madeira, que na sua simplicidade e no seu falar tão característico,
voltou a afirmar, serena e convicta depois do terrível drama por que passou
que uma mãe não pode matar um filho, por mais pequeno que ele seja, nem sequer decidir
dar a morte a um/uns para salvar outros...
É assim mesmo... de facto a Sabedoria continua muitas vezes mais presente
nos pequeninos e nos simples do que nos grandes e nos intelectuais... por mais elaborado e
politicamente correcto que seja o seu trabalho, como aliás acontece com um tal Relatório
Van Lancker, agora tão divulgado, que vem recomendar a todos os actuais Estados
Membros e aos vindouros - a legalização do aborto, em clara violação da Carta dos
Direitos Fundamentais da União Europeia, como se a aprovação e liberalização de um
crime pudesse alguma vez ser caminho de felicidade para alguém ou bandeira de progresso
de uma civilização... Resta-nos pois, perguntar... mas para que serve afinal essa Carta
dos Direitos Fundamentais?