Já quase tudo foi dito e
redito sobre a recente polémica da retirada dos crucifixos das escolas,
de muitas e variadas maneiras, com ironia e graça, ou em tom sério, de
que ressalto, entre outros, os comentários de João Bénard da Costa, Bagão
Félix e João Carlos Espada. Disseram muito, mais e melhor do que me
passaria pela cabeça dizer. Contudo, ao pensar nas sombrias razões pelas
quais uma qualquer associação desconhecida, entre tantas preocupações
válidas com a Educação em Portugal, vai apresentar uma queixa ao
Ministério precisamente sobre a pacífica existência de crucifixos nas
paredes das escolas e a vê tão simpaticamente deferida, ocorreu-me
contar-vos uma pequena história verídica que li há algum tempo. Julgo
que tudo se terá passado na Alemanha, ou na Áustria, no período de
reconstrução após a 2ª Guerra Mundial.
Numa pequena aldeia
totalmente destruída, fora encontrado sob os escombros da igreja local,
uma peça de valor incalculável. Tratava-se de um Cristo, mas sem cruz,
sem braços e sem pés. Reunidas as autoridades locais, uns opinavam que o
Cristo só ficaria bem, tal como estava, no museu da capital. Outros
entendiam que o Cristo devia ser restaurado pelos melhores especialistas
para voltar ao seu aspecto primitivo e à sua igreja. Por fim, depois de
grandes divergências, chegaram a uma decisão. E assim, tempos mais
tarde, quando a igreja foi reconstruída e reaberta ao público, o Cristo
voltou a ocupar o seu lugar de sempre, na zona mais visível e central da
igreja. Continuava sem cruz, sem braços e sem pés, tal como fora
descoberto, mas por baixo continha agora uma legenda nova, que dizia
assim: “ Os meus braços são os vossos braços e os meus pés são os vossos
pés”.
De repente, lembrei-me
do recente Congresso Internacional para a Nova Evangelização, ICNE, que
em princípios de Novembro, em boa hora animou as ruas, igrejas e
diferentes zonas de Lisboa, mobilizando multidões de gente de todas as
idades, da capital, de outras cidades e de além fronteiras, numa
extraordinária manifestação de Fé que culminou numa procissão pelas ruas
da capital, debaixo de chuva, e na consagração da cidade à Virgem de
Fátima, numa Av. da Liberdade pejada de gente e feéricamente iluminada.
E lembrei-me que aquela mesma legenda - “ os meus braços são os vossos
braços e os meus pés são os vossos pés” - resume bem o espírito de
missão que presidiu ao Congresso e que permanece e perdura agora como
um apelo urgente.
E ponho-me a cismar se
não será exactamente essa mensagem – mesmo quando não escrita - que
tanto assusta e irrita quem pretende retirar os Cristos das escolas…
Por isso, me comovi, ao
receber de imediato, um mail de um amigo que escreveu a todos os seus
familiares e amigos sugerindo que talvez seja esta a altura de voltarmos
todos, se porventura deixámos, a usar ao peito, nós e os nossos filhos,
uma cruz visível, mas sem ostentações, bem rentinho ao coração, àquele
coração com que O amamos, para mostrarmos que mesmo que retirem os
Cristos das paredes das escolas, nós continuaremos a levá-LO sempre
connosco.
Acrescento apenas, uma outra sugestão: no dia em que os retirarem das
escolas ,se tal acontecer, vamos nós buscá - Los. Não deixemos que à
semelhança daquela gruta fria em que o Menino nasceu há dois mil anos,
vá agora um só Cristo, morto na Cruz por nosso Amor!, apodrecer em
caixotes de lixo imundo e infecto, ou em arrecadações húmidas e
abandonadas. É que “Amor com amor se paga”.
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