O Cão de Pavlov

 

            As recentes declarações de um dirigente da APF a propósito da alegada “falta de senso” da proposta de abstinência trouxeram a público uma discussão que, efectivamente, estava latente no seio da sociedade portuguesa e que, mais tarde ou mais cedo, teria que ser travada, porque toda a problemática e complexidade do actuar humano reside na liberdade e na decorrente responsabilidade.

            Paradoxalmente, esta consideração não é estranha, ainda que pareça. Para se entender melhor não é demais atender aquilo que tem sido o “trabalho” da APF ao longo dos seus 35 anos de existência em Portugal.

            O ideário veiculado por esta sucursal do IPPF em Portugal pode resumir-se a duas ou três linhas de acção:

-         A maternidade e a natalidade são um mal que deve ser combatido. Apresenta-se como justificação para o combate a melhoria daquilo que consideram “qualidade de vida”. Por isso a prática do aborto e da contracepção são duas prerrogativas indeclináveis.

-         A sexualidade e a procriação devem ser separadas. A primeira é uma questão de saúde positiva – o bem supremo acima do qual nada se pode aspirar. A segunda é também uma questão de saúde mas negativa, um mal de que as mulheres, em particular, se devem libertar, condição de “obscurantismo medieval”.

-         A homossexualidade e a heterossexualidade têm o mesmo valor e a mesma expectativa, inclusivamente jurídica. Tanto faz. É tudo igual.

 

A grande obra da APF em Portugal, seguramente a mais visível, é o envelhecimento da população portuguesa e a miserável natalidade a que nos habituámos nos últimos anos. Ou será que este estado de coisas não tem responsáveis nem culpados?

      Que venham agora dizer que a proposta de abstinência é uma “falta de senso” é algo lógico e  está dentro da sua “missão” de promover a incitação às experiências sexuais precoces. Com o dinheiro das famílias que não pensam assim, pois claro. É uma atitude típica de quem sente o tapete a fugir dos pés.

      Manda a lógica que se diga que se a proposta de abstinência é uma “falta de senso”, então a atitude sensata será a contrária, ou seja, a de incitar os jovens em idade escolar a experiências sexuais precoces para “todos os gostos”. Portanto, a única liberdade que eles pretendem é a de seguir os instintos.

            O ideário da APF pressupõe e cria um determinado “estilo de vida” e uma visão do ser humano. O projecto de “educação sexual” da APF não é mais do que o modelo do cão de Pavlov: toca-se a sineta e aí está ele logo a babar-se.