APFN - Associação Portuguesa de Famílias Numerosas

Mensagem

 1 de Junho -  Dia Internacional da Criança

 

Há um ano atrás, dia 1 de Junho, a APFN celebrou o Dia Internacional da Criança enviando uma carta a todas as crianças que não sabem ler (http://www.apfn.com.pt/Noticias/Jun2002/apfn1.htm). 

Desta vez, o seu modesto contributo para um mundo melhor para todas as crianças, será – qual tijolo nessa imensa construção em que todos os operários são poucos! – uma carta escrita ao Mundo pelas crianças APFN.

 

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Senhores Poderosos, senhores que governam as terras onde nascem e vivem todas as crianças:

 

Há quem diga que nós somos muitos, mas a APFN demonstra que somos poucos, e que poderíamos ser muitos mais em muitos países ricos e remediados se não andassem a deitar-nos fora, como se fossemos oxiúros, lombrigas ou fraldas descartáveis...

Ora isso é muito feio, isso não se faz e isso faz doer!

Podiam parar com isso, se faz favor?

 

Senhores Grandes:

 

Nós estamos a ver se nos organizamos para nos ajudarmos uns aos outros, sermos bons, vivermos felizes e nos defendermos dos maus, mas como copiamos e imitamos tudo o que os grandes fazem e os grandes não se entendem, nós também ainda não sabemos como é que isso se faz.

Parece que é preciso Educação.

Podiam dar-nos uma boa Educação, se faz favor, actuando e comportando-se de forma educada?

 

Senhores Grandes:


Nós queríamos pedir para não gritarem tanto e para viverem em paz, uns com os outros, se faz favor, porque senão, com tantas guerras, bombas e tiros, nós não conseguimos nem tempo, nem cabeça, para a nossa principal obrigação: brincar.

Vocês metem-nos muito medo!

Podiam parar com isso, se faz favor?

 

Senhores Grandes:

 

Nós queríamos pedir que tivessem mais tempo para nós, que brincassem mais connosco e se rissem com as nossas brincadeiras e cantigas, em vez de fugirem de nós e nos meterem todo o dia numas casas chamadas “creches”, arrancando-nos da nossa caminha ainda de madrugada, e nos atafulharem de roupas caras e  brinquedos complicados, ou com programas de televisão e vídeos idiotas e barulhentos.

Podiam antes, sentar-se aqui a brincar no chão, assim baixinhos como nós, se faz favor?

 

Senhores Grandes:

 

Nós queríamos pedir outras horas de trabalho diferentes para as nossas mães e pais, para eles não correrem tanto (é feio andar aí a deitar a língua de fora, pois é?), para eles andarem mais sorridentes, mais alegres e menos cansados e chegarem a casa com vontade de nos darem colinho e nos levarem mais vezes aos balouços, aos jardins, aos campos e às praias...

É que as flores, a relva e as conchas estão todas à nossa espera e ficam tristes se não lá vamos falar com elas.

Os grandes percebem?

 

Senhores Grandes:

 

Nós sabemos que, se não acabamos depressa, vocês não vão acabar de ler, nem ouvir- como sempre acontece- porque vocês são muito importantes e têm sempre muitas coisas urgentes para fazer: biscates, compras, conferências, trabalhos, entrevistas, festas, telejornais e novelas para verem e muitos papéis e jornais para lerem.

Mas queríamos pedir, se faz favor, a todos, e principalmente às mães e pais, que nos liguem mais, que nos cuidem melhor, que nos protejam de todos os perigos, que nos digam o que se pode e deve fazer e o que não se pode nem se deve fazer.

Queríamos pedir também, que ficassem para sempre, para sempre, connosco (como aqueles pais e mães que parecem colados com cola UHU e por isso nunca fogem dos filhos, nem um do outro, nem saem de casa), para nos darem a mão quando temos medo, para nos darem a sopa de espinafres e os remédios amargos, contando e lendo histórias velhas sempre novas, para nos darem banhos muito divertidos e, rezando connosco (como fazem os avós), nos meterem na cama, antes que venham os papões e os lobos maus...percebem?

Por favor, mães e pais, não vão embora da nossa casa!...

 

Senhores Grandes:


Nós já vamos acabar, mas a gente queria pedir que tratassem melhor da terra e do mar, das plantas e animais, das cidades e dos campos, das casas e jardins, do teatro infantil e da música, dos velhinhos e também dos meninos de todas as cores, cheiros e tamanhos, que não têm pai nem mãe, ou que têm umas famílias muito esquisitas que não gostam deles e depois vão para casas muito grandes, com muitas pessoas grandes e pequenas e algumas até lhes fazem muito mal...

Nós só queríamos lembrar que, às vezes, até ficamos doentes, muito doentes mesmo, e até morremos de desgosto, porque vocês andam todos muito ocupados com os Direitos das crianças, dos velhos e dos Grandes, com os negócios e com os partidos (já agora, porquê que eles se chamam “partidos”: porque nunca estão “inteiros”?) Olhem que não fomos nós que os partimos! É verdade! Acreditem, que a gente nunca mente, porque dizer mentiras é muito feio, pois é?...

 

Senhores Grandes:

 

Lembrem-se de nós, que nós prometemos que, quando formos Grandes, também nos vamos lembrar de vocês, quando vocês, porque muito mais velhos, forem crianças outra vez.

Desculpem, senhores Grandes, não queríamos roubar o vosso tempo, porque roubar é muito feio, pois é?

Obrigadas,

                  As crianças


PS. Só mais uma coisinha: os Senhores Grandes podiam limpar, se faz favor, um bocadinho mais o ar, as televisões, as revistas e os jornais, mais os anúncios, enfim tudo o que respiramos?

E, já agora, algumas das ideias que proclamam?

É que está tudo tão sujo, que é uma vergonha, pois é?

E sujar é feio, pois é?

As crianças agradecem.

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