COMUNICADO
A Associação Mulheres em
Acção vem expressar publicamente a sua profunda preocupação
quanto à a Lei da Procriação Medicamente Assistida que na
Assembleia da República se prepara para votação final. Assim,
1º
- Lamenta que, em processo legislativo de audições, a Associação
Mulheres em Acção não tenha sido ouvida, apesar de o ter
requerido à Assembleia da República.
2º
- Lamenta que, nesse mesmo processo, nenhuma organização de
mulheres tenha tido assento para expressar o contributo que
pudesse dar a tal matéria.
3º
- Lamenta que, numa matéria cuja principal protagonista é a
mulher e a sua condição de mãe, estas sejam arredadas do
processo legislativo.
4º
- Lamenta que todos os projectos de lei apresentados na
Assembleia da República prevejam a criação, o uso para
experimentação e a destruição de embriões humanos excedentários.
5º
- Lamenta que, tendo a
Comissão das Mulheres e da Igualdade do Parlamento
Europeu aprovado por unanimidade uma recomendação para que
todos os países da União Europeia proíbam a investigação em
embriões humanos, o Parlamento Português e os partidos com
assento nele produzam uma lei que contraria essa recomendação.
6º
- Lamenta que o juízo feito a nível das instâncias europeias,
fundamentalmente para protecção da mulher e da sua dignidade,
não tenha eco na lei portuguesa.
7º
- Lamenta que, sabendo-se hoje ser o uso de embriões humanos uma
porta aberta para a exploração do corpo da mulher, como consta
da fundamentação do Parlamento Europeu, Portugal vá contra esta
recomendação e abra aqui uma possibilidade que no resto da
Europa está a ser fechada.
É a dignidade, o respeito, a
saúde e o bem-estar das mulheres que está em causa.
São os legítimos e inalienáveis
direitos das Mulheres, a começar pelo direito à informação, que
a Assembleia da República – através da forma furtiva com que
pretende aprovar esta lei da Procriação Medicamente Assistida –
omite, entorpece e nega.
É também a coisificação
do embrião humano que está em jogo, quando se admite a criação,
experimentação e destruição de “excedentários”. É o primeiro
degrau num processo de desvalorização do estatuto ontológico do
embrião humano, reduzido a material biológico – “amálgama de
células” – inteiramente disponível para as conveniências do
corpo social. Se não for atalhado, esse processo conduzirá, em
escalada, – pela sua própria lógica interna – à industrialização
e comercialização de embriões humanos, a formas de selecção
eugenésica e, enfim, ao desrespeito utilitarista pela
individualidade humana e pela sua dignidade.
Por isso, este protesto público
em nome das mulheres portuguesas.
As Mulheres em Acção
apoiam e aderem ao pedido de Referendo Popular que neste momento
corre no país.
Pela Associação Mulheres em
Acção
Madalena Simas
Maria Phoebe Castro Henriques
Alexandra Teté