COMUNICADO

A Federação Portuguesa Pela Vida reitera a sua plena convicção no direito fundamental à vida, que deve ser respeitado e salvaguardado desde o momento da concepção até à morte natural, ou seja, em todos os momentos e circunstâncias de qualquer vida humana.

Rejeitamos, por isso, o aborto, a eutanásia, o infanticídio, o homicídio ou a pena de morte, pois todos são manifestações de uma injusta e macabra vontade de certos seres humanos terem poder de decisão sobre a vida dos outros.

Repugna-nos especialmente o aborto por se tratar de desrespeito sangrento pela vida de um bebé indefeso e inocente, perpetrado pela própria mãe.

Centrar a discussão sobre o aborto apenas nas dificuldades, maiores ou menores, que atravessa a mulher grávida é falsear os dados da discussão, pois esconde a verdadeira realidade: essa mulher é mãe, e por isso também existe a vida do filho que deve ser respeitada.

Sabemos que há muitas mulheres grávidas que precisam de ajuda, e estamos sempre disponíveis para as apoiar. É isso que os defensores da vida têm feito desde o dia seguinte ao referendo de 28 de Junho de 1998. Por todo o País surgiram iniciativas de apoio às grávidas e às famílias, umas prestando apoio imediato em situações de emergência, outras trabalhando de forma preventiva, nas vertentes da educação, da sexualidade, da formação profissional, no serviço de voluntariado social. Tudo isto têm feito os defensores da vida, em verdadeira missão de serviço às mulheres e seus filhos.

O que fizeram os defensores do aborto? A resposta é fácil: nada, absolutamente nada!

Limitam-se a explorar até à exaustão o sofrimento das mulheres, com manifestações e campanhas de rua, que não têm outro objectivo que não seja, pela via do espectáculo e do ruído, abafar a sua total omissão de trabalho de apoio à mulher e às famílias.

O aborto deve continuar a ser um crime punido por lei!

As diversas manifestações públicas sobre o julgamento que em Aveiro coloca no banco dos Réus diversas pessoas alegadamente implicadas na prática de abortos revelam total desrespeito pela lei, pelas instituições e pelas pessoas:

Desrespeito pela lei, porque em Portugal o aborto é um crime, e a lei é para ser cumprida. O aborto clandestino deve ser combatido pela via da fiscalização e não pela via laxista da concessão aos prevaricadores, fazendo uma lei adaptada à medida das necessidades dos crimes que os abortistas clandestinos praticam!

Desrespeito pelas instituições, porque os Tribunais são um órgão de soberania, no qual os cidadãos são tratados com respeito e a Justiça é administrada em nome do povo! Os Tribunais são o meio adequado para que cada pessoa possa defender-se adequadamente, arguindo a sua inocência.

Desrespeito pelas pessoas, pois tudo o que se está a passar é um julgamento em plena praça pública das pessoas envolvidas, sem lhes dar oportunidade de defesa adequada, com uma exploração para fins meramente partidários do sofrimento evidente que este julgamento estará a causar aos envolvidos.

E tudo isto é afirmado em nome do respeito pelas mulheres e do progresso civilizacional. Como é possível tão grande mentira!


Porto, 12 de Dezembro de 2003

José Paulo Areia de Carvalho

Presidente da Direcção

Telem: 933266546

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