Nótulas  soltas da minha agenda...

 

Carlos Aguiar Gomes

 

1.       Este Outono tem sido pródigo em acontecimentos extremamente deprimentes: o naufrágio do Prestige, aqui bem perto; a detenção de Guardas da GNR; o caso da Moderna que não acaba; o da Lusófona que emergiu; etc; etc. Sobressai pelos seu carácter hediondo o escândalo de pedofilia em que se usaram e abusaram de crianças e jovens. Foram os pedófilos que os exploraram. Foram os políticos que se esqueceram; foram os responsáveis que assobiaram para o lado. Foi a Comunicação Social que “chafurdou” indecentemente (salvo raríssimas excepções). Esta que tem a obrigação de informar com isenção e clareza tem também, a obrigação de respeitar as pessoas, todas, sobretudo as vítimas. O que se viu, em algumas televisões, foi infame. Não há direito. E nós, os cidadãos que dizemos defender os direitos humanos, deveríamos protestar.

De facto este Outono anda triste, sombrio e lúgubre. Até o tempo está a condizer.

 

2.       Quem quer lançar um grito de esperança, positiva e alentadora para esta sociedade deprimida e a caminho da grande alienação em que se tornou o Natal, o nascimento de Jesus, o libertador de todas as escravidões? Precisamos de alguém que ouse convocar os portugueses para a Esperança! Que nos  indique a luz, mesmo ténue, que deve estar a brilhar no fundo deste túnel em que estamos metidos. É urgente ouvir uma mensagem de esperança. Urgentíssima.

 

3.       Senti-me bem na Sé, no passado Domingo na Missa congratulatória dos 25 anos da entrada em Braga, como Arcebispo Primaz, do Senhor Dom Eurico. Gostei de ver a sua família reunida à sua volta. Gostei de o ouvir falar, como sempre, com carinho e amor aos seus familiares. Dos vivos e dos mortos. O “Ecce quam bonum...” do Salmo 32 teve ali e naquele momento uma expressão sincera. Numa altura em que tantas famílias estão dilaceradas pela desunião, ódios e malquerença é gratificante ver que há excepções. Obrigado, Senhor Dom Eurico. Que o seu exemplo de amor pela Família se contagie.

Apreciei, e muito, que o actual Primaz tivesse dado a presidência ao Seu antecessor. A humildade fica bem mesmo aos Arcebispos.

Gostei de ouvir o grupo coral. Muito. E vi como a assembleia acompanhava, no que lhe competia, o coro. O grupo coral não deu um espectáculo. Ajudou-nos, e muito bem, a “meter-nos” no espírito da celebração. Só não participou quem não quis ou não pôde e foram poucos estes. Ainda bem.

 

4.          Um pequeno apontamento de uma leitura que fiz com imenso proveito: “a melhor forma de evitar estes riscos (os comportamentos desviantes como a toxicodependência, violência, etc.) na adolescência é manter a existência de um ambiente familiar de referência, consistente na qualidade afectiva, eficaz na Capacidade de comunicação entre pais e filhos, constante na definição de regras e limites” (Pedro Strech in “Público” de 21 Nov.2002). Tomei a liberdade de sublinhar o que me parece fundamental recordar a todos os pais que eventualmente me leiam.

 

5.       A 26ª hora .·. o Senhor Ministro da Educação cedeu. Cedeu vergonhosamente. Cedeu esquecendo-se (ou fizeram que ele se esquecesse?) de que o Estado é laico mas não tem de perseguir os Católicos! Onde estão os pais católicos deste país? Onde estão os pais e as mães que vão à Missa e a Fátima, ao S.Bentinho ou ao Sameiro? Onde estão? O vosso silêncio, interpreto-o como o silêncio de beatos no pior sentido da palavra: consumidores compulsivos do fenómeno religioso na sua deturpação supersticiosa! Os pais calaram-se. Não se manifestaram . Falou por eles o Presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais, Victor Sarmento. Ouviu-os? Auscultou-os? Emitiu (e muitas vezes!) opiniões: se eram as suas, devia ter dito que falava na qualidade do cidadão Victor Sarmento; se era a voz da CNAF, então usurpou a voz aos pais e não os representava pois não tinha mandato expresso para decidir uma matéria em que deveria ter ouvido os pais, os principais interessados na aula de Religião e Moral.

A  26ª hora foi uma derrota para os pais que sentem que são os “primeiros e principais educadores dos seus filhos”. Sejam católicos, adventistas ou muçulmanos! Os pais de Portugal foram espezinhados nos seus  direitos.

Senhor Ministro da Educação, assim: NÃO!

 

6.        “Sampaio quer sexualidade responsável para prevenir a sida”. (Público, 02.XII.o2). É precisamente aqui que as “coisas” têm sido mal conduzidas. De modo errado. Segundo a via dos mais  fácil: o preservativo. Por aí não vamos muito longe. Provavelmente até iremos abrir novas frentes de “dores de cabeça”. Aliás já aí estão alguns: a promiscuidade sexual promovida e incentivada. Por aí, não!

7.       O Dia 1 de Dezembro, da Restauração, passou em claro. Tirando o Duque de Bragança, só o silencio. Lamento, também, os jantares de “tias e tios” que leva à confusão entre Monarquia e... snobes enfatuados e empertigados senhores. Tenho pena que o Senhor Dom Duarte embarque nestes jantares.

 

8.       A publicidade à volta do Natal está a tornar-se repugnante. Seria possível ver algo de semelhante relativo ao Ramadão? Será que os Cristãos não têm também direito a serem respeitados? O Natal é, e só, a memória do nascimento de Jesus, o Redentor. O Natal é um convite à reflexão sobre esse grande e decisivo acontecimento da História dos homens: o nascimento, na pobreza e na exclusão social, como agora se diz, do Rei dos reis e Senhor dos senhores. Do Amor que se fez Homem. Do Deus que se revelou naquele menino, o Seu  Verbo.

Por mim, protesto. Protesto contra tanta idiotice, tanta boçalidade e insulto ao verdadeiro espírito de Natal....

Protesto e pouco mais me resta. Mas não me calo. Nem ninguém me calará.